- Speaker #0
Bem-vindos à memória do Cap Verde. Há gestos que marcam uma vida e instantes que entram na história. Hoje, estamos em Tarrafal, no Cap Verde, e recebemos o colonel Julio Monteiro. ancião militar das Forças Armadas Capverden. Ele jogou um papel muito especial com um gesto simples, mas simbólico, que permanecerá gravado na sua memória, e isso desde o 5 de julho de 1975, dia da independência do Cap Verde. Olá, Col. Monteiro.
- Speaker #1
Boa tarde.
- Speaker #0
Podem-se apresentar para nossos auditeiros?
- Speaker #1
Meu nome é Júlio Souza Monteiro. Nasci na cidade de Praia. Mas desde muito cedo convive com o Tarrafal. Os últimos 20 anos não se tem morado no Tarrafal. Meio de família de mistura entre São Nicolau, São Vicente e Brava. Tem 12 filhos ali no Tarrafal, tem mais 3 filhos na praia. Hoje cada um nasceu de vida e hoje estamos reformados das Forças Armadas de Cabo Verde.
- Speaker #0
A qual ressembleu a sua vida antes do dia da independência?
- Speaker #1
Eu trabalhava no registro civil nos anos 70 e depois do 25 de abril eu estava na Tarrafal. quando foi criado ali na Tarrafal um centro de instrução militar na 1975. Foi nessa altura que resolvi também entrar nas Forças Armadas e fazer recrutamento ali na Tafal, como era de um grupo de instrutores políticos dentro daquela estrutura militar que tinha tanto a parte militar do CUR, mas também a outra parte política, de formação política do militar. Entra nesse último grupo. Quando não vá para a praia, na véspera de independência, não fazia juramento dia 28 de junho de 1975, na altura não foi, calha, não foi porta-bandeira nesse dia solene de juramento de bandeira, 28 de junho. E uns dias depois, no dia 5 de julho, talvez porque não foi conhecido para combatentes que eram dirigentes de forças armadas, tinha um comandante chamado Timóteo Tavares, de zona de São Domingos, hoje falecido. Ele chamou-me e falou-me que tomava a bandeira para izar da bandeira no dia da independência. Infelizmente, que foi nada... programado, que foi nada ensaiado, simplesmente andar e as missões de ir buscar bandeira para a ISAR. Nunca sabia o que fazer. Fala com alguns camaradas, que também estavam na mesma situação que eu, porque não estava ligado a juramento de bandeira, portanto ao estandarte militar, e nunca estava incorporado nas forças de parada. Então, me chamou um grande amigo. e camarada, que mora perto da minha zona, hoje também falecido, Roberto Fernandes, e nos chamou mais uns 12 soldados e nos prepara para sair da bandeira. Não vai passar da várzea, forças em parada, a nós não fica de fora para aquele momento de cerimónia. Foi um momento... Muito especial de anos depois que nos dá conta do que é que tinha acontecido conosco. Quer dizer, num momento tão simbólico para Cabo Verde, nos está no centro do furacão, mas no centro mesmo. Num momento em que o speaker da cerimónia, Tachumano, para nos dar a busca da bandeira, é que nos dá conta. A nos era oficial de Forças Armadas, na altura nunca tinha patente. povo que está na várzea, não sei, a minha de praia, antes conheceu-me como Julinho de Dona de Leite. Espanta porque como é que Juninho de Dona Leite ia vir oficial? Bem, tremendo, um exato tremendo, subiu àquele tribuna, vai a buscar bandeira nas mãos do Presidente da República. Era a primeira vez. O povo exato concebeu primeiro o Presidente da República aquele dia. Concebeu-o como Secretário-Geral do PAIGC. Mas naquele dia, como Presidente da República... Me bateu uma bandeira, tremendo, me sabe a tremer, quando ele põe aquele salva de prata com a bandeira. Me disse que a escada do estádio da Várzea, sinceramente, parecia um automato. Bem para a zona onde estava aquele posto de bandeira, onde estava aquele camarada de uma outra espera. Então, eu não fazia, ele fazia, ele... Ele amarra aquela bandeira àquela corda que estava naquele mastro. Só que tinha duas cordas. Ele amarra uma ponta de bandeira numa corda e uma ponta de bandeira na outra corda. Quando começa a subir, está tendo a subir bandeira a bandeira que está bem. Porque um está num ponto e o outro naquele outro. Entretanto, o hino nacional, que também nunca não tinha ouvido, está a tocar. Portanto, foi um momento de desespero. Foi uns segundos de desespero. volta para um outro camarada que está atrás, um chumal, nós todos três nos tentamos naquele momento fazer funcionar e a bandeira subiu. Primeira vez que não está toda aquela bandeira.
- Speaker #0
O que você nos diz é que nenhum militar não viu nem mesmo entendido o drapeau ou o Lime Nacional do Capo Verde?
- Speaker #1
Sim, sim, era a primeira vez. Ele podia ter sido aprovado Então... na primeira reunião da Assembleia Nacional que tinha acontecido na véspera, dia 4 de julho, onde foi aprovada a bandeira e o hino. Mas o grande público que eu tinha conhecimento, nunca tinha meios de comunicação suficientes para não ouvir a transmissão da Assembleia. Portanto, nunca concheba nem a bandeira, nem o hino. Era naquele momento que começaram a conchebê-lo.
- Speaker #0
Quais souvenirs vos revêm quando pensávamos nesta dia?
- Speaker #1
É difícil, mas me tenho olhado, tinha fotografias de mim naquele dia. Nunca te consegui explicar qual é a imagem. Quer dizer, era o estádio da Várzea, cheio de público. A mim, um jovem de 24 anos, no centro de atenção, tudo virado para mim, porque é mim que vou buscar bandeira. E me... quer dizer, tinha entrado nas Forças Armadas naquele dia, uns dois meses antes, no dia que um completo de 24 anos tinha entrado nas Forças Armadas, e estava no centro de atenção, mas naquele momento nunca tinha noção, nunca tinha noção, estava nervoso demais para ter noção de onde é que eu estava.
- Speaker #0
Por você, era simplesmente um dever que você acompassava?
- Speaker #1
Sim, me dar aquela missão. Eles dão aquela missão, uma compromissão, de baixo tem a bandeira. Só que quando um também na minta pergunta, mas meu Deus, isto é o dia da independência. E a emoção era grande, a emoção era grande. Minha era uma figura tão importante, talvez como os grandes obreiros desta independência. que estavam na cidade da Varze, Aristides Pereira, Pedro Pires, Abelho Duarte, Silvino da Luz, tantas figuras tão importantes para a independência de Cabo Verde, e me instalar no centro daquele furacão. Depois o meu amigo Roberto Fernandes também.
- Speaker #0
Naquela altura,
- Speaker #1
o meu irmão, que é o meu irmão mais velho, estava na cidade da Varze. Ela estava lá com uma máquina fotográfica, uma máquina de filmar, que é uma máquina antiga. Silmar, não te lembro dele. Minhos irmãos deviam estar lá tudo. Minha mãe, ele devia estar na casa, mas ela sempre foi uma lutadora, a tal ponto que anos depois ela foi das primeiras mulheres, a segunda mulher deputada da Assembleia Nacional.
- Speaker #0
D'acord, e qual é o seu nome?
- Speaker #1
Adelaide Monteiro. Ela é a segunda mulher. A primeira mulher é uma senhora de São Vicente. Nesse momento já me falta nome, que foi presidente de Câmara. Na São Vicente, uma mulher combatente, uma guerrilheira mesmo, uma combatente. Minha mãe também era assim. Então, nunca me lembro de ter depois falado com os meus irmãos sobre aquele dia. Não sabe-te viver. Era vivendo o momento.
- Speaker #0
O que aconteceu nesse dia, o dia da independência, que não estava previsto, sem falar da história da corda? e que, com recuo, andou longe na atmosfera do Cabo Verde àquela época.
- Speaker #1
O povo cavardeano, hoje alguém pode falar, mas não, mas o povo cavardeano estava de toda maneira galvanizado para esse dia, para a independência. A juventude cavardeana estava ansiosa para aquele momento. E me lembro, na noite de 4 de julho, um grande movimento na zona central da praia. a Ribapraia lá na praça, todo mundo a cantar e a dançar, e mim com um grupo de amigos, de camaradas militares, muito sérios, não dançando, não bebendo, mas estando lá naquele meio, com uma euforia tremenda. Pois no dia sim, não vai para a cama cedo, não tinha que levantar cedo, farda, prepara-se para bem, não vai para aquela cerimónia, quando não começa até hoje é o estádio da Várzea, que infelizmente hoje... está muito degradado e não devia estar porque lá foi o sítio onde se proclamou a independência, proclamou a independência, sim, e a multidão que estava lá. A população de Cabo Verde era pouca, a população da praia também não era nada o que é hoje, mas tudo que era praiense ou que estava na praia ou na Ilha de Santiago estava naquele momento. Os convidados internacionais estavam lá, tchiu, e aconteça uma coisa que nunca estou consigo explicar talvez os velhotos do centro da África ali consigam explicar, o mesmo de Cabo Verde é que no momento em que a bandeira começa a subir houve um pequeno momento de temporal, o tempo tornou-se escuro, bastante escuro com vento o que é estranho o que é bastante estranho tanto é que assim que Muita gente na estádio da Varsa comenta, é a alma de Cabral que Sata passava na estádio da Varsa. Não é uma invenção minha, porque o estádio estava cheio de gente, e ainda hoje muita testemunha, muitas testemunhas vivas do que acontecia naquele momento. Um pequeno temporal passou no estádio da Varsa naquele momento que Bandeira Sata subiu. Isto é algo sobrenatural.
- Speaker #0
E você mesmo, você o sentiu que se passava algo estranho em torno de você?
- Speaker #1
Sim, em torno de mim não tinha sentido. Era demasiado estranho. Um tempo parado de muito sol, mas muito sol mesmo, julho. E de um momento para outro o tempo torna-se escuro. Escuro e uma pequena ventania que passa sobre a cidade da praia. Os entendidos nessa matéria que falam. O sobrenatural estava lá, agora nunca tem palavras para me falar o que é certo. No sentido, na pele, no estorno estava demasiado, não só comovido, mas sentindo que algo de anormal estava acontecendo, de facto.
- Speaker #0
Tudo o que estava presente, de fato, era como um sinal de que algo novo estava a acontecer. Amílcar Cabral, você...
- Speaker #1
E a população que estava lá, muita gente comentava, ouvia-se comentar a voz alta, é arma de Cabral, é arma de Cabral. Que digo os entendidos na matéria em termos de sobrenatural. Esse que deve falar sobre o que aconteceu lá, foi um momento de muita tensão, de muita eletricidade, algo estranho. Estava acontecendo porque, de facto, depois de 500 anos, eu tinha assistido o arriar da bandeira portuguesa, com cerimónia, com muita cerimónia, e depois o entoar do hino nacional e a subida da nova bandeira. Quer dizer, muita gente mais velha devia estar à espera disso, mas nós, a juventude, então, foi o pico da nossa vida.
- Speaker #0
assistir ao subir da bandeira nacional.
- Speaker #1
A juventude de hoje... vive com uma nova bandeira. Esse que eu conchi, aquele bandeira anterior. Há momentos que a nova bandeira se tornou glorioso, é bom que nos diga, é a nível de desporto, a nível de futebol eleva-se bandeira dos tubarões azuis para fora de Cabo Verde. A bandeira é bonita e a juventude conhece essa bandeira. Depois também houve todo um trabalho para mim muito mal feito, de denegrir a imagem da antiga bandeira. A antiga bandeira é a bandeira, as cores da bandeira, é as cores da independência da África dos anos 60, dos anos 60, anos 70, as cores da libertação da África, as três cores, a verde, a vermelha e a amarela. Mas naquela bandeira tinha também algo muito, muito cavardeano, muito, muito simbólico, que é as duas espigas de milho. As duas espigas de milho que simboliza o labor do cavardeano no campo, na cimenteira, na colheita do milho. Mas depois no tudo que vem através do milho, o cuscuz, a cachupa, a camoca, o xerém, quer dizer, tudo vem através do milho. E aí basta ver o período das águas, todo o campo, toda a juventude, todo o homem e a mulher do campo, na trabalha, para cima daquele milho, para depois para o colho daquele milho. Quando alguém resolveu pensar em retirar aquela bandeira, em termos culturais, para mim é falha. É falha porque ele retira o símbolo do homem camponês na terra. Ele falha. Havia o símbolo marítimo, que é a concha, mas para mim as espigas de milho eram de uma força tal da cultura crioula de Santo Antão à Brava ligada à terra. E falhou. Eu, na minha era comandante militar na Ilha do Sal, quando houve a troca de bandeira. E juntamente com o presidente da Câmara do Sal, a mim comanda a força militar. militar que substituiu a bandeira. À frente da Câmara Militar, enquanto no quartel está trocada a bandeira, à frente da Câmara Municipal do Salmo, também tinha a cerimónia da troca da bandeira, descer de uma bandeira, subir da outra. E com orgulho, como comandante militar, cumpri o dever de fazer essa substituição. Essa bandeira nova é bonita, mas para mim... Ele que tem culturalmente o cabo verdeano. O azul do mar e do céu, sim senhor. As estrelas. A outra bandeira tinha uma estrela negra, que é a estrela da África e deste povo que é negro. Mas há uma grande diferença. Ela é bonita. A juventude hoje apropriou-se dessa nova bandeira. a juventude é Ela se sente, galvaniza-se com essa nova bandeira. No desporto, basta ver, basta olhar nos atletas que estão correndo com as nossas bandeiras, nos jovens na palco com as nossas bandeiras. Quer dizer, ela é bonita e ela é a bandeira de Cabo Verde.
- Speaker #0
Justamente, é que esse novo drapeau faz perder uma parte da identidade do país?
- Speaker #1
Eu acho que sim. Então, chamo assim, porque... Precisamente porque eu não estou falando que... as cores da África trazendo o azul por mais que se tenta por mais que não tenta o azul do mar e o azul do céu mas não estou naquela bandeira ali, uma bandeira europeia quer dizer, ele está trazendo a bandeira da União Europeia até no trazer das estrelas até as estrelas estrelas, está fazendo lembrar a bandeira europeia. A outra bandeira era a bandeira da independência de todo o país da África, é aquele cor-lá. Mas, para mim, aquele milho, que as duas espigas de milho é de uma força tal que pensa-me um conchê quem que desenha as bandeiras, pensa-me um conchê. Se for ele, é um grande amigo. Porque ele traz Z. o que é de raiz do Cabo Verdeano, que é o milho. Que o milho é cuscuz, é isso, é que chupa. E ele conseguiu levar-lhe para a bandeira. Esta forma não é bandeira da Guiné-Bissau, não, não, completamente diferente. A Guiné-Bissau tem aqueles três cores, evidentemente, mas todo o mundo do país da África tem aqueles três cores. Ele tem aquele estrela, ele tem aquele estrela, sim senhor, mas aqui não tem nada. Não, não, além daquele estrela, não tem. Que os dois pílulos de milho se entraram na base com uma concha. que te simboliza nos mares, nos arquipelágicos que nós temos. Portanto, parece-me, nunca pude ter uma atitude de flama falha, mas que ele retira alguma coisa, ele retira sim.
- Speaker #0
Pensei-vos que lhe falamos suficientemente da época da independência nas famílias, nos médias?
- Speaker #1
Não, ele falou muito pouco sobre esse período e ele falou com muita carga ideológica entre... exodou-se o partido de arco do poder entre o PAICV e o MPD quer dizer, na 90, 91 houve um discurso de bota abaixo tudo o que foi feito na Primeira República mas a Primeira República construiu a base do que é hoje Cabo Verde, quer dizer, no ano 75 hoje no Tobit Jouta falaram nisso O governo que entra cá tinha nada, nem dinheiro, nem nada. A administração que tinha era a administração de pessoas que resolvem ficar na Cabo Verde. Houve muitos poucos que quisem ir para Portugal e se bem, mas quem quis ficar na Cabo Verde fica e exige-se esse patriotismo para assegurar o funcionamento do Estado, da máquina administrativa do Estado. mas em termos financeiros Foi um trabalho gigante conseguir ajudas internacionais, começando para Portugal, dentro do acordo, começando para Portugal, mas também de países como da Finlândia, da Suécia, que o Suécia que foi um grande amigo durante mesmo a luta de independência com o seu primeiro-ministro, Olof Palme. eu dediquei-se primeiro A Finlândia, se não me engano, foi o primeiro país que reconhece a independência de Cabo Verde. Então houve grande ajuda, mesmo dos americanos, que estavam em princípio contra a independência, porque o jogo político, o jogo geoestratégico, a situação geoestratégica de Cabo Verde, a situação estratégica das ilhas, lembra que uma parte do mundo ocidental estivesse contra a independência. Contra a independência para poder aproveitar... das ilhas como trampolim para a África. A Primeira República, muito sabiamente, nos dirigentes conseguiu ser equidistante entre o mundo ocidental, que era contra a independência, e o mundo da Europa do Leste, que apoia e de que maneira nos independência. Rússia, China, Jugoslávia, mesmo a Alemanha democrática. então mas Todo o trabalho que foi feito em termos diplomáticos leva a que, de um país que era considerado inviável, na 90 era um país soberano, soberano dentro do que é possível ser soberano, não é? Porque não conseguem manter uma equidistância, a nossa Constituição está a falar de que até permite a instalação de bases militares no país, o que hoje A mim pessoalmente tenho dúvidas do que é que se acontece em termos políticos. Então, porque a mim como militar tenho orgulho de falar que a nossa primeira defesa não estava nas Forças Armadas, estava no Ministério de Negócios Estrangeiros. O Ministério de Negócios Estrangeiros é que cria toda uma relação de paz, de boas relações, de boa vizinhança. com países de costa africana, mas com países do mundo, capaz de demonstrar que Cabo Verde era um país viável, mas também era um país que podia dar contribuição para a paz no mundo, e é bom que não a juventude sabe, mas Cabo Verde contribui de que maneira? Para a independência da Namíbia, da Angola, para a libertação do povo da África do Sul, na Cabo Verde. Conte-se as grandes reuniões secretas entre o regime de apartheid do ANC na África do Sul. do MPLA na Angola acontecesse na Cabo Verde. Isso é algo que, em termos diplomáticos, tinha que ser muito confidencial, mas hoje também está falado nele. E é bom que se saiba, que a juventude sabe, mas não os diplomatas, não os dirigentes conseguem contribuir de que maneira para a paz na África ou Austrália. E isso cria uma imagem de um país de um país que era capaz de contribuir para a paz no mundo. E isso levou a que nós tivéssemos, nos anos 90, com infraestruturas básicas, mínimas, para que nascesse a Segunda República.
- Speaker #0
Então, para você, diga-me, a que momento nasceu a nação caboverdiana?
- Speaker #1
É que nós, o povo caboverdiano, a nação caboverdiana... A nação cavardeana nasce muito, muitos anos antes do Estado de Cabo Verde. A nação cavardeana está forja na luta, na sobrevivência, na fome, na imigração forçada para São Tomé. E essa nação cavardeana mostra uma resiliência tal que, nos anos 40, 50, de aparecer grandes escritores, cavardianos, que te falam de... já não da colónia, não sei o quê, mas está a falar da nação cabo-verdiana, do cabo-verdiano. A própria língua cabo-verdiana está a criar essa nação cabo-verdiana. Tchontchou o país que hoje ainda quer a nação. Esse é um Estado, sim, formado por várias nações, mas Cabo Verde, ele é uma nação muito antes da independência, muito antes do surgimento do Estado de Cabo Verde. Portanto, a resiliência do povo cabo-verdiano leva é que nos anos 50, 60, te aparecem figuras, entre os quais o maior, Amílcar Cabral. Quando ele te consegue levar a sua volta, vários jovens que estavam nas universidades, na Portugal, na França, e mesmo na Eslovénia, Eslovénia? Não, Eslovénia não, é na Suíça, na Suíça. Ele te consegue levar, os seus jovens, a junta com ele para a luta pela independência. E mesmo outros jovens, outras pessoas que sabem, imigrantes na África, Senegal, Angola, ele está consigo e congrega-se à volta turcas ali para a luta pela independência, porque já havia uma consciência de nação. Já havia o cabo-verdiano. Ele se sentia o cabo-verdiano, não é? Anteriormente ele era português, português adjacente, português de moda Souros e Madeira, mas... havia já, o povo se sentia como cabra de ano. E é isso que está a levar. Cabral não nasce sozinho. Cabral é um produto dessa luta de vários séculos, desde o tempo dos escravos, escravo que está revolta contra o colonialismo, que está a fugir para montanhas de Santo Antão, ou da Ilha de Santiago, que está a revolta contra o regime colonial. Ele está a bater forma consciência a ponto de chegar na finais do século XIX, inícios do século XX, como de facto nação. E é essa nação que forja figuras na cultura como Eugênio Tavares, ou Baltasar Lopes, ou António Nunes, ou Aristides Pereira, ou Pedro Pires, ou Amírica Cabral. Quer dizer, essas figuras nascem, estão nascendo. da consciência, da resiliência de um povo. Mesmo quando ele tem migra, mesmo quando ele tem migra, ele está bem onde ele está, mas ele está muito morno. E ele está cheio de Cabo Verde. Ele está cheio de cachupa, ele está cheio de Cabo Verde. Às vezes está faltando consciência, principalmente a nova geração, porque não quer ser muito capaz de levá-lo. Mas quando aparece uma figura mais necessária... Todo mundo está cheio. Hoje, aqueles jovens, aqueles mais jovens, aqueles cantores mais jovens, estão a parecer que estão a cantar. Cuchi. Olha que bom que o Cuchi está a cantar. Um bom dia. Se esses primeiros clipes, em 2016, quando ele vence aquele concurso na França, que é The Voice. Quer dizer, a mim... Sinto um orgulho naquele jovem, porque um hoje é um melecá avaliado. Há dias eu fazia um posto que era tudo que o artista devia cantar com a sua bandeira.
- Speaker #0
O Tchim nasce na Europa, nasce na Portugal, vive na França. Ele é um, como é que ainda costuma falar, ele é um... Ele sabe estar na palca, eu esqueci o termo que ainda costuma utilizar. Mas ele te identifica como Cabo Verdeano. Para mais alguém, mas ele é Cabo Verdeano. Olha que ele está baixo, olha que ele está cantando, olha que ele está bem com essa bandeira última, ele com bandeira de Cabo Verde. E é que só ele, é o Jorge, é o Zeon Data, olha que ele está cantando. mesmo que em termos políticos isso que soube interpreta mas sai de dentro da alma o cabo-verdeano sai primeiro tem que ser feito na cabo-verde porque manuais escolares manuais escolares de várias fases de ensino na cabo-verde da negligência O conhecimento da história. Uma história recente, uma história mais antiga, uma história recente. Porque a história recente é rica. É necessário que a juventude... Tirando a questão de ideologia, o que é o mal, essa ideologia se está prejudicando. Então, pessoas que querem reconhecer o papel da luta de libertação. Pessoas que querem reconhecer o papel da Milka Cabral. Chega a ponto de pessoas que querem reconhecer a data 5 de julho. Também traziam outras datas, 25 de abril. 25 de abril é um produto da luta de libertação na África e fundamentalmente na Guiné, e não ao contrário. Então, Juventude tem que concher a história de Cabo Verde. É conhecendo a história de Cabo Verde que é tapace da gosto ainda mais de Cabo Verde. E fazendo ele internamente, claro que é tatiga na diáspora. Ele está levado através de associações, através de visitas, as pessoas também na Cabo Verde. Ele está sentindo o amor à terra e conhecendo se as figuras são importantes, o que foi feito para esse país. Olha, só queria mostrar uma coisa. Nos anos 70, a Cabo Verde estava um país quase que deserto em termos vegetativo. Quase que deserto. Há um trabalho do primeiro-ministro que é... LIBERAÇÃO um dia na semana ou um dia na mesa, todo trabalhador da função pública para campo para plantar um árvore. Isso foi feito nos anos 70. Pessoas na praia hoje que aconcham, por exemplo, chá de mosquito. Ou outros também, em outras ilhas, que aconcham. Mas chá de mosquito era uma chá enorme, seco, vazio, só pedra. Ou ali sim, na terra, traz de... de Monte Graciosa, um chá que também para a zona do Farol de Leste também era um chá vazio. Bom, mim participo lá na plantação da árvore. É um gesto, é uma gesta heroica que catafalharam na ele, mas não impide a desertificação. Aquela árvore da lenha para nós camponeses, ele ajuda o surgimento no aspecto de galinha de mato, lagartos. e outras variedades de animais, porque esse país está a perder. Mas é um gesto, para mim é um gesto heroico, que é celebrado nem na música, nem na escrita, nem na nada. Mas cá vê-se que está a ser pura e simplesmente um deserto. Não terá vez deserto. Mas foi um trabalho feito para o governo naquela altura. É bom que não concha-se, que usa-se, porque senão hoje não teria um país. Sael, não sei se nos faz parte de Sael, mas nunca se é completamente deserto porque houve esse trabalho. E infelizmente nunca se consigue. Os governos têm que ser capazes de pôr de lado a partidarialização e falam na política. Por exemplo, já agora, um assunto que também é pouco falado, ainda há adiançado falava nele, na altura de 91, Houve eleição, partido no poder perde eleição e o novo partido toma poder. Estava com receios de que militares te revoltavam e te davam um golpe de Estado. Isso não aconteceu porque militar estava politicamente formado, não como partido, mas como político. politicamente não era bem informado de que Cabo Verde é Cabo Verde, sendo dirigido por A, B ou C, mas não é o nosso amor é terra, o nosso amor é Cabo Verde, não tem que conviver com o governo que estiver no poder. E defende o país. Por isso que nunca comporta moda em alguns outros países que depois das eleições há golpe de Estado. Mesmo ali sim perto de nós, mais perto. Na Guiné, mesmo na São Tomé, houve tentativa. Mas na Cabo Verde não, porque nós politicamente não era bem formado. É que Cabo Verde é Cabo Verde, mas ia-se-lhe por cima de qualquer interesse partidário. Esse que levou a nós, militares, já agora, em que eu falei no princípio, em que eu falei no fim, a reforma como coronel nas Forças Armadas de Cabo Verde.
- Speaker #1
Havia-lhe um último dito a adicionar, um mensagem a passar à nova geração de Cabo Verde?
- Speaker #0
Estava a gostar que a juventude caboverdiana fosse, bem, mas isso também parte de poderes políticos, e não só, de associações, de ajudar jovens a concherem. o que é que foi esses 50 anos de independência não só no conversar blá blá blá, não, de conhecer no fundo a história do que é que foi a luta não só destes 50 anos mas de mais, porque a resiliência do povo covardiano não começa com o 25 ou o 5 de julho vem de lá de trás e é bom que nós jovens conchemos as dificuldades que não chegam hoje hoje nós o... alienado através da mídia, não está hoje o que a mídia ocidental está transmitindo e não está sequer a realidade concreta do país. Chega a ponto que nos últimos anos tem havido uma imigração pior do que aquela imigração que vai para São Tomé. Aquele de São Tomé era forçado, eles dizem que é forçado, mas é que numa miragem... de que na Europa está a salvação do mundo. Não está. Não está e na juventude se tem migrante. Nesse momento não tem grande dificuldade em tudo. Em mão de obra. Mas a mim dá para uma pergunta. E em termos demográficos, o que é que vai ser daqui a 10, 5, 10, 15, 20 anos? Quer dizer, em termos demográficos, a juventude está saindo. Então, notamente, tem uma população velha. que também tem todas as consequências disso. E é bom que a nossa juventude seja capaz de ser informada e de mostrar mais interesse para esse país. O que me, sinceramente, encanta sentir hoje. A nossa juventude que tem, que sente interesse, porque também quer ajudar as dificuldades que o país tem, e até continua a ter, porque políticos têm medo da juventude.
- Speaker #1
Porquê?
- Speaker #0
Porque a juventude, até mesmo fazendo um podcast, se a juventude que a Verdiana conceba a Mirka Cabral, que é o político que estaria hoje no poder? Isso é suficiente, porque Cabral cabral está lutando para que ele bandeira ou hino. Cabral está lutando para a melhoria da condição de vida do povo cabraliano. Nesse momento onde eu te perguntei a melhoria da condição de vida do povo cabraliano, está sendo procurado, está sendo realizado? Eu acho que não. Tanto é que não que há uma bandada completa de quadros. Não é só gente que sem formação, mesmo de quadros. Portanto, quer dizer que nunca se realiza o sonho de Cabral.
- Speaker #1
O que você nos diz é que o objetivo de Amilcar Cabral
- Speaker #0
Não porque o dia da dependência foi o dia do hastear da bandeira e do entoar do hino. E Cabral sempre fala, não é a bandeira ou o hino que é o sonho para Cabo Verde. É o desenvolvimento desta terra para que o nosso povo possa viver ali num novo sonho.
- Speaker #1
Sim,
- Speaker #0
mas hoje o mundo é diferente. Hoje o mundo, enquanto que na 75 notícias não tinha do que estava passando ali, sim, na Senegal ou mesmo na Portugal, uma semana ou duas semanas depois. Hoje não está assistindo notícias imediatas. Então, o surgimento de uma nova... não numa nova figura, mas numa nova juventude, numa nova liderança, está difícil porque ele está a consumir demais o que está a ver no mundo ocidental. Ele está a consumir demais o imediatismo, o consumismo. E num país pobre mora-nos o consumismo. Consumir o quê? Eu não estou a consumir. Nunca está a produzir nada internamente para nós. Nem para a nossa mesa, nem para os nossos hotéis, nem para nada. Tudo é produzido, tudo é importado. Porquê? 50 anos depois. Não tenho uma preocupação grande, que não estou a costumar falar, e era bom que me falasse agora sim. Como é que 50 anos depois, tinha o país na África, falando de Palop, de países que falam português, e não só? Seis dirigentes máximos ou que doença, também trata de morrer na Europa. Porquê? Aristides Pereira morre na Europa. Agostinho Neto morre na Europa. José Eduardo dos Santos morre na Europa. Luís Cabral morre na Europa. Os francófonos todos morrem na Europa. Porquê? 50 anos depois, esses 60 anos, outros países, que conseguem criar um sistema de saúde capaz de as internas no hospital e de ser tratada no hospital, e se tiver que morrer, porque o nosso dono tem que morrer, para morrer nesse país. Quer dizer, é esse o querer da Mirka Cabral. Dar a qualidade de vida ao povo. Não a bandeira. A bandeira já foi trocada. E não estou a trocá-la quantas vezes foi necessário. Mas o desenvolvimento, para que esse povo pode viver melhor ali na Cabo Verde? E não se está a sair como se saísse nesse momento. Alguém, um irmão do meu, falou, ah, Cabo Verdeano sempre sai. É que está ali nesse momento para hoje, é coisa que está acontecendo no país. Se estivesse ali, é capaz de ficar falando. Há uma debandada da juventude, ou com qualificação, ou sem qualificação, para a Europa. Mas também não sabe, porque esteve há poucos dias na Europa, um olho atenda, um olho atenda, um olho a nível de vida que alguns desde a imigração se vivem na Europa. Porque internamente nunca se está a ser capaz de ir ali. Ah, mas porquê? Se há uma elite ali que vive num status de... Como é que é o termo? De vergonha. De vergonha. Há uma elite que vive ali num nível de vida de vergonha para esse país que é pobre. Desse país que recebe ajuda internacional. E do salário mínimo, que é hoje agora de 15 a 7 mil escudos e o outro com 500 e 600 mil escudos. Não é... Isso é socialismo? Não, não é socialismo. É dividir o bem que este país tem para que todo mundo possa ter. Mas já cantava Renato Cardoso, todo crioulo tem direito a ser gota d'água.
- Speaker #1
Merci, Col. Montero, por votre témoignage, por votre mémoire e por cette fin poétique qui touche autant qu'elle est claire. Aplica-se a corda. A interviu preparada ao capivertamento e menina sobre o terreno foi realizada por Elodie Mendez-Tavaret, a realização de Charles Junior Andrade. Aplica-se a corda.
- Speaker #2
A gente já grita vitória, mas você já treca na forma. Agora, já chega. Aplica-se a corda. Pedro já cantei, quando o Pedro tá de fim. Ora, já chega, a pica já acorda. Pedro já cantei, quando o Pedro tá de fim. Nossa vitória tá na mão, graças a nós irmãos cabral. Derrotar a Bolonha é mesmo, pra libertar seu pobre irmão. Nossa vitória tá na mão, graças a nós irmãos cabral. Derrotar a Bolonha é mesmo, pra libertar seu pobre irmão. Ora, já chega, a pica já acorda. Mendo já cá vem, quando vem luta de fim Hora de atirar, a briga já acordar Mendo já cá vem, quando vem luta de fim A FICA JÁ CORTA, NÓS POSSAS JÁ DUPLICAR NEGRO JÁ GRITA VICTÓRIA, PEDO JÁ TRANCA DO LABOR A FICA JÁ CORTA, NÓS POSSAS JÁ DUPLICAR NEGRO JÁ GRITA VICTÓRIA, PEDO JÁ TRANCA DO LABOR HORA, JÁ TIGA, A FICA JÁ CORTA Medo já cá tem, quando vem luta de fim, hora de atirar, a figa já acordar. Medo já cá tem, quando vem luta de fim, uma vitória tá na mão, graças a nosso irmão Cabral. De volta a bolona é de queijo, pra libertar o povo irmão. Uma vitória tá na mão, graças a nosso irmão Cabral. De volta a bolona é de queijo, pra libertar o povo irmão. Hora de atirar, a figa já acordar. Pedro já catei, quando o pêndulo tá de fim. Hora de atirar, a pica já acordar.